segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A Iminência Das Poéticas



    



O título desse texto foi também o tema da trigésima bienal internacional de arte; A Iminência das Poéticas, dos dizeres subjetivos injetados nas obras por cada um dos artistas. Do poder reflexivo que elas nos proporcionam, trazendo á tona questões que não havíamos parado para pensar antes, e, que, muitas vezes estavam diante de nossos olhos, porém a vida cotidiana não nos permitia perceber.
   O grande desafio enfrentado tem sido justamente o de agregar essa dimensão poética da arte em seu poder de oferecer outra voz e outro olhar á ação educativa, que valoriza outros modos mais convencionais e didáticos de significar as vivências artísticas.
   Devemos, antes de tudo, deixar de encarar a arte como algo unicamente racional, conceito que foi criado o Renascimento e veio sendo cultivado em outros estilos, onde sua produção era extremamente técnica. Devemos tirar o verniz cultural que a reduz ás “Belas Artes”.
   Podemos implementar na educação da arte outra lógica – a poética – que não nos fornece explicações sobre o mundo, mas experiências do e no mundo. É ato, não apenas discurso sobre, não se tratando apenas de consumir conhecimento, mas favorecer aprendizagens que tenham como base a experiência, a vivência do mundo. É nesse processo de decifrar o mundo que se dá a experiência poética. Um ato que se elabora para além das palavras, que não precisam ser verbalizados, basta apenas o corpo agir.
   Para o poeta Valéry (1999, p.191), “na produção da obra, a ação vem sob a influência do indefinível” e não pelo definível pela clareza conceitual dos logos. As coisas, a todo o momento, nos interrogam e exigem de nós ações no mundo. Exige que inscrevamos um sentido naquilo que não tinha, indo além do palpável, do óbvio, do objetivo.
    Já dizia Aristóteles – Acredito que a arte esteja fortemente embasada na filosofia, por esse motivo cito Aristóteles aqui – em Arte Poética, que o que está sendo dito, sem deixar de ser claro, não deve ser “rasteiro”, devendo antes ser “nobre” e, de preferência, afastado do uso vulgar.
    A transformação da arte em matéria – no produto final – implica em todo um processo de criação, onde materializamos, deixamos a marca de tudo o que sentimos, de toda a concepção que criamos sobre o mundo e as coisas que o cercam, através de nossas experiências.
    É uma captura-escuta de mim, que eu não sabia poder realizar, que faz com que eu aprenda a transformar meu pensamento, emprestando uma existência poética ás coisas que me cercam.
   Explorar e investigar uma série de matérias-primas, faz parte da experiência tanto de artistas quanto de professores de arte, e isso requer um extenso conhecimento e uma imensa variedade de possibilidades técnicas. Entretanto, de nada serve a técnica se dentro dela não estiver uma alternativa que possa adequar-se á poética daquele que a projetou.
   Nossa única saída – não somente na escolha de materiais, mas também nos critérios avaliados para se fazer alguma criação – é nos arriscarmos. Aguardamos sempre pelo imprevisto, pelo impensado, por aquilo que nos fará perceber que a busca valeu a pena. Todo esse tempo que passamos em busca de respostas é necessário, é um tempo de aprendizagem, de coleta de experiências e vivências, e por mais que consigamos responder á determinada questão, não teremos muito tempo para descansar, pois logo surgirá uma nova pergunta, e só suportamos essa ausência de respostas, por acreditarmos que na pergunta que reside o impulso de toda a atitude criadora.
    Questionar nossos modos de pensar e agir em educação pode nos desestabilizar, mas também pode promover o confronto necessário para sairmos do lugar em busca de outros modos de pensar os processos de aprendizagem na especificidade das linguagens plásticas. Desse modo a “desacomodação” nos permite perceber as fronteiras entre o exterior o interior, mente e corpo, ser e mundo de modo permeável e distinto do habitual.



Trabalho teórico realizado na disciplina de Pintura I.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Tudo Aquilo Que Nunca Foi Dito

 
 

  

   Há algum tempo gostaria de falar sobre as palavras que insistem em travar na minha garganta, e, que cedo ou tarde podem me sufocar. Gostaria de me livrar desse terrível mal: O de não conseguir verbalizar o que se sinto.
   Talvez por incompetência, falta de experiência, ou porque não chegou o momento certo de lhe dizer tudo. Os motivos eu desconheço. Prometi a mim mesmo que seria corajoso e levaria essa história até o final. Prometi que nada abalaria o amor que sinto por ti, e que jamais permitiria que as pessoas tentassem desestruturar as coisas nas quais acredito.
   Eu prometi tantas coisas...
   Dos escritos arquivados, do sentimento gravado á tinta no papel, de tudo aquilo que lhe escrevi, mas não tive coragem de entregar. Cada palavra lutando dentro de mim, abrindo caminho garganta afora como se tivessem garras e vacilando na ponta da língua, cada grito ensaiado frente ao espelho... Cada tentativa falha de provar que lhe amo. Tudo aquilo que nunca foi dito acumula-se em meu peito e me infecta como uma doença terminal.
   Eu morro todos os dias á sua espera, ansiando por um único beijo, um encontro, ou uma simples troca de olhar, e, se possível, ouvir de sua boca apenas duas palavras; “Eu também”. Eu morro todos os dias ao perceber que nada disso jamais acontecerá, e, principalmente, por constatar que a maioria das minhas promessas foram quebradas.
   Já não sei mais em que acredito, se é que acredito em algo. Permiti que colocassem em dúvida minhas crenças, fui incapaz de provar o meu amor e pior de tudo, deixei que ele se transformasse em algo ruim, pois meu sentimento não me dá o direito de posse sobre ti. E agora, bom, já é tarde pra qualquer mudança de ideia.
   Só tenho de me desculpar.
   Por não saber o que dizer e por eventuais incômodos.
   Eu sinto muito,